Coisas De Garota E Cia

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Sabe quando você sonha com uma coisa, e sonha tanto que acha que essa coisa nunca vai deixar de ser um sonho? É assim comigo e o ITA. Não vou dizer que desde pequena eu sonhava em ir pro ITA, nem nada disso, porque não foi o que aconteceu. Mas eu sempre gostei de matemática e exatas.

Quando tinha uns 7, 8 anos, aquela idade em que nossos pais são nossos heróis, eu quis ser engenheira elétrica, assim como meu pai. Mas minha mãe falou que essa era uma profissão de homem, e disse pra eu procurar uma profissão mais… feminina. Como naquela época eu obedecia tudo que meus pais diziam, comecei a procurar uma profissão mais feminina. Meu pai falou para minha mãe me deixar ser o que eu quisesse ser, mas o estrago já tinha sido feito. Assim, eu passei os anos seguintes indecisa, querendo uma coisa a cada seis meses: médica, bailarina, professora, estilista, dona de agência de turismo…

Eu sabia que era indecisa, mas não tinha problema, afinal, eu não precisava decidir ainda. Então, chegou 2010. Eu entrei no primeiro ano. A única coisa que os professores falavam – além da matéria, claro – é o PAS e o vestibular. Percebi que já estava chegando a hora de decidir, mas estranhamente, não me sentia pressionada, como se tivesse hora marcada – apesar de ter. Eu queria ser diplomata. Eu faria relações internacionais na UnB, prestaria o concurso do Instituto Rio Branco, viajaria o mundo representando o Brasil e seria feliz para sempre. É, eu sei que soa meio conto de fadas, mas eu nunca gostei de planejar especificamente mais que alguns anos à frente, porque descobri bem cedo que desilusões podem destruir pessoas. Quando o meio do ano apareceu, meu pai conversou comigo sobre isso. Antes, não importava muito o que eu queria fazer, porque apesar de na época eu achar que quereria aquilo para sempre, meus pais sabiam que eu mudaria de ideia de acordo com meu amadurecimento. Agora, a coisa era pra valer.

“Você quer fazer relações internacionais ou quer ser diplomata?” ele perguntou. A pergunta me confundiu. Sabia que não era necessário fazer relações internacionais para prestar o Concurso de Admissão À Carreira Diplomática, mas achava que os melhores diplomatas o cursavam. “Quero ser diplomata. Por que?” respondi. “O curso de R.I. é muito vazio. Converse com sua prima e algumas outras pessoas que se formaram em R.I. para ter uma ideia, mas é basicamente o que você aprendeu na escola. Você sabe como é a vida de um diplomata? Sempre se mudando, nunca com uma moradia fixa. Você realmente quer isso?” concordei. “Mas e se acontecer tudo do jeito que você quer, e quando você chegar lá descobrir que não é do jeito que você imagina que é? Você vai ter desperdiçado todos esses anos. Pense bem sobre o que você quer fazer na faculdade, porque isso vai afetar um bom pedaço da sua vida. Talvez seja melhor você escolher fazer na faculdade seu plano B (meu plano A é o que eu falei lá em cima, do viver feliz para sempre) de modo que se a diplomacia não corresponder às suas expectativas, você terá uma profissão.” Eu tenho que dizer que amo isso nos meus pais: eles nunca fizeram uma escolha que era minha por mim. Eles mostram as opções e deixam que eu faça isso sozinha.

O que ele me disse ficou martelando minha cabeça por um bom tempo. E se? Eu odeio essa pergunta. Eu odeio não saber. Odeio ficar na expectativa. Elaborei melhor meu plano B, que na época, só dizia assim: Arquitetura e/ou Engenharia. Qual engenharia eu queria? Só faculdades nacionais, ou me arriscaria em outras fora do país? Quais vestibulares eu tentaria? Quanto tempo eu estava disposta a estudar? Se minhas escolhas me fizessem mudar de escola, eu ainda me manteria firme nelas? Acabei chegando à conclusão que queria passar no ITA, e que faria tudo para conseguir, independentemente das consequências.

Apesar das minhas notas em matemática, química, português e inglês (únicas matérias cobradas no vestibular do ITA, além de física) estarem ótimas, minhas notas em física eram pouco acima da média. No início do segundo semestre, eu tirei 5,5/10 com média seis. Não tive coragem de contar pessoalmente, então mandei uma mensagem tanto pro meu pai quanto pra minha mãe falando da nota. Até hoje não sei se minha mãe chegou a ver a mensagem, mas a resposta que recebi do meu pai foi tão fria e bruta quanto verdadeira:

Como você quer fazer a prova do ITA se nem consegue média na escola?

Aquele tipo de comentário maldoso que as pessoas fazem casualmente, mas que eu nunca esperei dele. Me atingiu mais do que ele deve ter pensado. Nada como um desafio ou alguém que me subestima para me fazer mostrar que a pessoa estava errada. Nas duas provas seguintes, minha nota aumentou, e eu fechei o ano com média 9,1 em física. Uma pequena conquista que me deixou mais feliz do que esperava. No entanto, o ITA ainda era sonho nebuloso. Eu comecei a estudar pro PAS duas semanas antes, e de acordo com o gabarito preliminar, tive uma boa nota, mas isso era duvidoso demais.

Durante toda essa última semana, eu pesquisava sobre o ITA, cursinhos preparatórios, provas anteriores… Mas tudo como pura curiosidade, algo que eu poderia fazer depois. Até que hoje cheguei em um site chamado Rumo Ao ITA. Lá, vi o depoimento de diversas pessoas aprovadas no ITA e no IME, e então percebi que se eu realmente quisesse passar no ITA – e de primeira – eu ia ter que fazer mais do que eu fiz todo esse ano. Teria que estudar horas, fazer muitos exercícios, abdicar um pouco da vida social, fazer escolhas que possivelmente me fariam enveredar por caminhos mais difíceis.  Eu realmente estou disposta a isso? Me perguntei, não pela primeira vez. Imaginei como seria… Estudar na melhor faculdade de engenharia do Brasil e uma das melhores do mundo.

Estar entre a elite cultural do país.

Saber que aquilo que eu queria, que eu realmente queria… eu consegui.

Sim, valia a pena.


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