Coisas De Garota E Cia

Protesto De Uma Adolescente Do Século XXI

Posted on: 7 de agosto de 2010

Finalmente, depois dessa semana inteira eu tive tempo de vir postar pessoalmente. Antes que perguntem “então os outros posts da semana foram postados por quem?” eu vou responder: eu programo todos os posts cujo o título seja “Frase Do Dia”, assim eu não preciso me preocupar se vai ter algo novo ou não no blog todos os dias.

Durante toda essa semana, eu não tive tempo de fazer nada, e isso inclui entrar na internet e assistir televisão. E sabem por que? Simplesmente porque nessa semana foi a volta às aulas de todas minhas atividades da tarde. Eu ia para a escola de manhã, passava a tarde fazendo cursos (inglês, ballet, plantões…), chegava em casa todos os dias sete horas ou mais tarde, tomava banho, jantava, fazia os deveres – o que quase sempre me levava a ficar acordada até depois de onze horas, e tornava cenas assim:

muito comuns – e finalmente ia dormir, só para começar mais ou menos a mesma rotina no dia seguinte.

A vida corrida e sem tempo para nada dá para aguentar, se fosse só isso, pois não é nada que eu não tenha vivenciado antes, e que até já foi pior em alguns anos, mas o que realmente me deixa irritada é a PRESSÃO. Desde que minhas aulas começaram na semana passada, a única coisa que os professores falam é sobre o PAS, o Vestibular, os argumentos do vestibular, como estudar pro PAS e coisas desse tipo. Como eu estudo numa escola de classe alta, onde é bem comum encontrar filhos de gente famosa e pessoas muito ricas, nós somos ainda mais cobrados a respeito disso. Temos que tirar notas altas sempre, porque “nós somos a elite e temos acesso à diversas coisas que a maior parte da população não tem” e “nossos pais estão pagando muito caro para nós irmos mal em uma prova”, etc.

À isso, some a pressão de ir bem no inglês; estar sempre linda e maravilhosa no ballet; nunca esquecer de fazer os deveres; estudar diariamente para as provas; decidir o que quer cursar na faculdade; ver onde vai fazer (se é que vai!) o pré-PAS; ter dez minutos de almoço com alguém gritando no seu ouvido “Anda logo, já estamos atrasados!”; ser sempre educada com todos; evitar decepcionar as pessoas… E você tem uma adolescente entrando em parafuso apenas duas semanas após a volta às aulas.

Alguns podem dizer que é a sequência natural da vida: quanto mais você cresce, mais responsabilidades você tem. Eu realmente acredito nisso, pois me parece a ordem lógica das coisas, mas isso não quer dizer que aos 14,15 anos você tenha que ter o mesmo estresse e a mesma carga horária que alguém 30, 40 anos mais velho. Feitas as contas, você descobre que muitos estudantes de ensino médio estudam mais do que seus pais trabalham. Se muitas pessoas trabalham oito horas por dia, os alunos estudam 5, 6 horas na escola, mais o inglês (2 horas), mais o dever de casa (idem), mais… a lista fica infinita. Acabamos ficando como naquela crônica de Luís Fernando Veríssimo, Exigências Da Vida Moderna, em que nós somos obrigados a fazer tantas coisas – e ainda estarmos tão bem quanto estávamos no início – que precisamos de horas a mais em cada dia para podermos da conta; no entanto, nós temos que nos virar com 24 horas.

Isso não me parece certo, de jeito nenhum, principalmente considerando que estou sujeita a isso diariamente, então sei do que estou falando. Nem todos os estudantes estão se sentindo assim agora, mas dê-lhes alguns meses e todos poderão confirmar o que disse. Nós, nessa época, deveríamos poder aproveitar nossa juventude sem maiores preocupações. Poder ir à festas sem nos preocupar com o tempo que poderia estar sendo gasto com estudos. Poder ir ao cinema sem pensar nos deveres que tínhamos de fazer. Poder rir sem ter que decidir o que quer fazer pelo resto da vida. Poder conversar sem mencionar palavras relativas aos estudos e pressões. Poder simplesmente… ser. Rir, falar, brincar, pregar peças, namorar, bater papo, sair, ficar, se divertir, não se sobrecarregar… Mas pelo jeito, se você é um(a) adolescente em pleno século XXI, você não tem direito a isso. Você perdeu seu direito de ser um estudante feliz.



Agora cabe a você decidir o que vai fazer a respeito da perda do seu direito como adolescente. Assim que eu resolver, eu aviso vocês.

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